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Mostrando postagens de 2023

Bom dia sem Rita

Botei um bluezinho hoje pra ir devagarinho Amanhecer hoje foi um teste de resiliência daqueles que temos quando o tombo é grande. Uma artista, uma pessoa que ficava ali no canto da sala olhando de soslaio todos os seus self-judges sobre tudo que faz. Rindo percebendo o quanto nos esforçamos para deixar a vida passar sem toca-la, sem que vivamos realmente ou plenamente. Ser humano é uma barbárie. Brasileiro então, é um troglodita. Um guerreiro sem dentes, sem armas, sem comandantes. Mas ela não. Ela vivia como uma pena que flutua sobre todas as intempéries. Uma pena brilhante, leve e louca de tanta substância química que temperava seu ser. Privilégios, claro, mas quantos souberam usar como ela? É daí que vem a força do Rock. Dessa temperância ácida. Desse desleixo proposital de fugir dos esteriótipos que nos pausterizam no vislumbre coletivo. Rita era natural. Era Franciscana - hippie, mas uma Franciscana. Mais do que as músicas que cantou e nos tirou do sofá, as palavras que pro feriu,

A arte de ser medíocre

  Existe uma fabulosa paz para os que se reconhecem medíocres. E mediocridade no capitalismo exacerbado parece um xingo. Na verdade, ser mediano, medíocre, nada mais é que estar ali... meio que no meio da tabela... nem campeão, nem rebaixado. Tipo o São Paulo dos anos 10 (ridículo, aliás). Mas enquanto somos forçados a encarar que menos que campeão é lixo, o gosto do chorume nos entope a garganta, embrulha o estômago, nos faz depressivos demais para sermos felizes com o que temos. E é aí que entra a arte de ser medíocre. É o que temos para hoje. E aceitar isso tem um bônus extra além da que toda aceitação tem. Aceitar a mediocridade, não é ser acomodado. Até porque, você pode não ser medíocre em tudo o que faz (inclusive isso pode acontecer, sem problemas também), e ter coisas que goste de fazer, e que execute bem melhor que a maioria das pessoas. Aceitar a mediocridade, é libertador do ponto de vista da pressão de ter que ser o melhor em tudo (principalmente no trabalho). Estar al

De volta para o futuro

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Hoje me reconecto com estas linhas que durante um tempo se fizeram de confessionário,  ou algo parecido. Fiquei anos preso ao formato, tentando criar algo além de meras memórias, como poesias e afins. Percebi que ao longo do tempo virou uma salada cultural em que horas expunha um cotidiano insólito e na maioria das vezes desinteressante, hora viajava na maionese com direito a textos praticamente inteligíveis. E agora quero voltar a um formato único em que mergulho em profundas reflexões sobre a vida em si. Reflexões que faço cotidianamente e vou lapidando com o objetivo claro e conciso de ser melhor... principalmente melhor escritor, e acima de tudo, melhor fotógrafo, artes que no alto dos meus 46 anos de vida quero me dedicar, e tornar meus trabalhos. Como podem perceber a escrita está longe disso, enquanto as fotos, essas sim estão engatilhando com mais facilidade, com uma certa bagagem inclusive.  Mas e eu nisso tudo? Como um ser que anseia mudanças e as provoca no seu âmago, pode o